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terça-feira, 1 de março de 2016

Yamaha MT-10 2016: uma supernaked que lutará para ser a melhor.

Por Waldyr Costa
Imagens divulgação

Feita à imagem e semelhança da R1 em tecnologia, a Yamaha MT-10 chega em maio para brigar pelo topo das supernakeds.

A Yamaha divulgou os dados da nova MT-10 que está prestes a estrear na Europa. Com mais de 160cv de potência máxima e apenas 210kg com tanque cheio, ela promete uma forte entrada no mercado das supernakeds, onde enfrentará: Aprilia Tuono V4 1100, BMW S1000R, Ducati Monster 1200(S), Honda CB1000R, Kawasaki Z1000, KTM 1290 Super Duke, MV Agusta Brutale, Suzuki GSX-S1000 e Triumph Speed Triple, entre as mais importantes.

A concorrência é forte, mas a MT-10 também é.

Com o prazo para o início das vendas se esgotando, a Yamaha resolveu liberar maiores informações sobre a MT-10. Um tanto já se conhecia desde a sua apresentação no EICMA 2015. Sabia-se, por exemplo, que, ao contrário da MT-09 de motor tricilíndrico e quadro dedicado, ela usa o motor quadricilíndrico e quadro da R1, que, pela lógica, teria motor e suspensões reajustados para uma moto de rua. Todo mundo sabe que a R1 é "calibrada" visando um pouco as pistas de corrida, enquanto que as MTs têm a missão de rodar bem no perímetro urbano. Mas aquele quadro da R1 na MT deve fazer uma bela diferença em estabilidade esportiva e solidez ciclística.

Potência e agressividade a MT-10 tem, além de DNA de R1 e visual futurista no estilo Dark Side Of Japan das Yamaha MT.

A MT-10 é quase uma superesportiva desprovida de carenagens com guidom inteiriço. Há de se ter grande expectativa com relação à sua performance. Seus 160cv rivalizam com os da S1000R, que ficam abaixo só da Tuono (175cv) e Super Duke (170cv), superando as demais em potência máxima. A ciclística arrojada também é um atributo relevante. Antes das primeiras supernakeds alguns motociclistas compravam superesportivas, às vezes com a carenagem estragada por algum acidente, e a deixavam nua, com quadro e motor à amostra, trocavam o painel, o farol e... voilà: uma super moto pelada! Isso era divertido.

O futuro do presente está chegando na versão Yamaha MT-10.

Mas, voltando à MT-10, vamos lembrar de quando a Yamaha nos trouxe a linha de motos dentro do conceito The Dark Side Of Japan (O Lado Negro do Japão), com a nova linha MT. Apesar de ser a continuidade da antiga linha MT, que só tinha a MT-01 de 1.700cc e a MT-03 de 660cc, essa nova linha apela para o underground (submundo) do mundo motociclístico, incorporando elementos de customização de garagem, personalizações com influência das "modernas clássicas" tanto no estilo Café Racer quanto no Street Fighter. 

A MT-10 é a primeira MT com motor de 4 cilindros, e chegou logo com o motor da R1. Mas isso era de se esperar.

A MT-10 é a mais recente inclusão após o grande sucesso das MT-09 e MT-07 - que tiveram várias versões especiais customizadas de fábrica. Elas que trouxeram, no embalo, a MT-125, e a dupla MT-03 + MT-25, que são a mesma moto, apenas variando o motor entre 250cc e 300cc e que também já começam algum sucesso na Ásia, apesar de muito recentes. Duas versões alternativas se destacaram: a scrambler XSR (700 e 900) e a adventure (MT-09) Tracer, além da Cage (MT-07), que é mais uma personalização leve do que uma outra versão. 

Ainda nem chegou e já tem gente imaginando uma Tracer MT-10 ou uma XSR 1000.

A possibilidade de que estas plataformas da MT gerem as mesmas versões para todos os modelos já lançados, desperta desejo daqueles que ainda não podem (ou querem) adquirir as versões existentes, especialmente a versão Tracer derivada da MT-07, que já foi vista pela Europa sob camuflagem. As possibilidades e sonhos se apuram com a imaginação trazendo versões touring, trail etc, ainda nem cogitadas pela Yamaha. Isso mostra o potencial desta nova plataforma MT.

A MT-10 é corpulenta, com design agressivo, configuração esportiva e compacidade de moto urbana.

Mas ainda faltava uma versão radical, aquela que desafiaria a ordem do mercado, um animal predador para brigar no topo da cadeia alimentar. Eis que surge a MT-10, com todo o aval genético da mais que "santificada" R1, o maior ícone esportivo da Yamaha do século XXI. Mais que uma "costela de Adão" da YZF-R1 2015, a MT traz a radicalidade já testada e aprovada por outras bestialidades, como a Tuono, S1000R, Super Duke e Brutale. Menos enfaticamente, mas não menos eficientemente, com as Z1000 e GSX-S1000. A MT-10 chega no patamar superior e a única coisa que pode separá-la do mesmo sucesso das outras é ter, ou não, um preço competitivo.

Motor de R1 com tecnologia Crossplane, 160cv e 210kg com tanque cheio. É uma ferramenta de respeito.

Além do motor de 998cc, com tecnologia Yamaha Crossplane, que explora de forma mais contundente a capacidade de gerar torque em baixas e médias rotações e do quadro de alumínio Yamaha Deltabox (extremamente leve e ágil), que resulta num entre-eixos de apenas 1.400mm, a MT-10 traz a suspensão também derivada da R1, que incorpora tecnologia da MotoGP, dispensando maiores comentários. 

Corpo à frente, quase uma muscle bike.

Visualmente o design desloca a massa visual para a frente da moto, explorando traços mais agressivos que os outros modelos MT, especialmente no conjunto ótico frontal. Alguns elementos lembram outros monstros de força, como as tomadas de ar ao lado do tanque de combustível, que nos remetem à poderosa V-Max. A balança traseira, que não há como separá-la de uma R1. A MT-10 poderia ser a versão Mad Max de uma naked em Star Wars (Guerra nas Estrelas). "Se é que vocês me entendem", como diz Luis Thunderbird.

Para quem prefere, a MT-10 tem sua versão full black.

Só de pensar na grande quantidade de supernakeds disponíveis hoje no mercado (não necessariamente no Brasil), já fico com o estado psicológico alterado. E com a chegada de mais uma como esta MT-10, começo a ter visões não muito politicamente corretas. O motociclista é basicamente movido por emoção, e não há como escapar do apelo sexual dessas gostosuras peladas. Para abrandar o meu descontrole emocional, algumas tecnologias e modificações põem as coisas em seu devido lugar.

O motor não é exatamente como está na R1, ele foi levemente educado para atender à proposta da MT.

O motor deixa os 200cv para a R1, incorporando alterações que priorizam o torque, mas ainda mantendo uma cavalaria de deixar uma esportiva do final século passado com vergonha. As principais alterações foram nos sistemas de alimentação, admissão e escape, incluindo balanceamento do virabrequim. Vários itens foram revistos para criar a melhor sintonia entre "o estilo MT de ser", a resposta da roda traseira ao acelerador e a engenharia crossplane.

Controles de gerenciamento eletrônico no punho esquerdo.

A eletrônica foi disponibilizada para ajudar a manter a moto sob controle. O Yamaha D-MODE é o modo de controle do motor, ou modo de pilotagem, com três opções bem distintas, que usam um sofisticado controle eletrônico no acelerador, alternativa ao famoso drive-by-wire, chamado Yamaha Chip Controlled Throttle ou YCC-T (acelerador controlado por chip) que pode alterar, de forma instantânea, as características do motor, modificando a abertura da admissão, o avanço da ignição e o volume de combustível injetado. 

Os modos de gerenciamento do motor controlam a ferocidade da máquina em momentos que exigem mais suavidade.

Os modos de pilotagem são o Standard, o A e o B. O modo "normal" é o Standard, que dá respostas mais suaves em toda a faixa de rotações do motor e é projetado para a maioria das condições "normais" de uso. O modo A já dá uma apimentada no comportamento do motor em baixas e médias rotações, enquanto que o modo B é adrenalina total, este é o modo "tenha juízo".

O controle de tração trata de manter a roda traseira estável, sem derrapar nem tirar a frente do chão.

O TCS é o Traction Control System (controle de tração) e também oferece três modos de sensibilidade de derrapagem da roda traseira. Isso serve para você deixar o acabamento da moto sem arranhões ou amassados, mas pode ser desativado quando você estiver com o seu controle de juízo também dasativado. Dependendo do nível selecionado, o TCS "conversa" com o D-MODE para atenuar o acelerador, a ignição e a injeção, devolvendo a aderência à roda traseira para você se divertir com mais segurança.

Se você gosta que a coisa fique preta, é só desativar os controles eletrônicos.

O nível 1 só perde para o modo desativado e oferece a menor interferência na aceleração e combina bem com o modo B de pilotagem. O nível 2 é indicado para uso na cidade, onde o tipo de piso é mais sujeito a variações de aderência, bom para combinar com o modo Standard ou A. O nível 3 é para ser usado na chuva ou em pisos escorregadios; neste modo a capacidade de tração na roda é sensivelmente reduzido, aqui uma combinação com o modo Standard é o indicado se as condições forem críticas.

A embreagem deslizante reduz a possibilidade de travamento da roda traseira nas desacelerações ou reduções.

Uma herança muito boa, vinda da nova R1, é o controle de patinagem da embreagem, chamado de Assist and slipper (A&S). Ele ajuda nas desacelerações, quando ocorre o efeito contra-torque. O sistema utiliza cames inclinados, é um mecanismo que aumenta o efeito de pressão das molas permitindo o uso de outras mais leves com o mesmo resultado. Isso minimiza a pressão necessária para o acionamento da embreagem, deixando-a mais suave.

Quando vier rápido para entrar numa curva, a embreagem deslizante garante estabilidade para redução segura.
Mas a principal função é mesmo fazê-la deslizar, um pouco e suavemente, nas fortes desacelerações e reduções, quando há tendência de travamento da roda traseira. Isso reduz este efeito, que é o resultado do contra-torque exercido pela roda e tração na embragem, melhorando o conforto na pilotagem, além de minimizar o desgaste devido ao menor estresse sofrido por este conjunto.

Com cruiser control, a Yamaha sugere a MT para longas viagens. Mas não parece muito lógica essa idéia.

Outro item eletrônico é o controle de velocidade, ou cruiser control, também conhecido, erroneamente, como piloto automático. Ele vem equipado de série e permite ser acionado na 6ª, 5ª e 4ª marchas. Pode-se selecionar a velocidade, entre 50km/h e 180km/h, aumentando a cada 2km/h. A velocidade escolhida é mantida, não importa se está descendo, subindo ou no plano, sendo controlada pelo YCC-T. Para cancelar é só acionar a embreagem, o freio ou o acelerador. A última velocidade selecionada já fica armazenada na memória para o próximo uso.

Escape de titânio, 4x2x1, com válvula de controle de fluxo.

Para finalizar, outras ajustes sofridos pelo motor para atender à proposta da MT: coletor de escape do tipo 4-2-1, de titânio, com válvula de escape; novos pistões forjados, bielas cementadas fracture-split, tração redimensionada, sistema de refrigeração mais leve com dutos e mangueiras simplificados.

Apesar do piloto acima estar inclinado, olhando para seus cotovelos dá pra saber que a posição de pilotagem é mais ereta.

A ergonomia, logicamente, também foi revisada. Para uma posição mais ereta de pilotagem, houve a substituição de guidom, pedaleiras e assento, em relação aos da R1, juntamente com o uso de um novo formato da capa do tanque e da maior largura do guidom, que permitem uma condição de maior controle, mais adequada ao uso urbano. Porém ainda é mais esportiva que na MT-09, pois a MT-10 atinge maior velocidade e precisa permitir alguma inclinação do piloto, resultando em maior ângulo do corpo na posição de pilotagem.

Suspensão racing progressiva, ajustada para ser suave em baixas velocidades.

Nas supensões foi aproveitado o conjunto da R1, reajustado para a MT, que resultou em bangalas Kayaba (KYB) upside down (invertidas, ou USD), na frente, com tubos de 43mm de diâmetro e 120mm de curso. A configuração usada no amortecedor dianteiro é específica para a MT, com respostas mais suaves em baixa velocidade e mais esportiva em alta, bem progressivo e mais de acordo com a proposta mais urbana desta moto.

Kayaba em ambas supensões, na frente e atrás. 

Na suspensão traseira foi usada uma balança de dupla viga de alumínio, similar à da R1, que eles chamam de upward truss type (tipo treliça para cima). Ela é pivotada perto do centro da moto, como na R1, o que maximiza a estabilidade em reta. Com o eixo de articulação no centro da moto, a balança fica mais longa, com mais sensibilidade, combinando-se novamente com o conjunto amortecedor/mola KYB, com links tipo Monocross. O ajuste na traseira procura transformar a cadeia de esforços sofridos pela suspensão em maior capacidade de tração durante as acelerações.

A balança de alumínio é equivalente à da R1 e usa links Monocross.

Nos freios a Yamaha não deixou por menos, optando por um par de pinças radiais com 4 pistões contrapostos na frente, com discos flutuantes de 320mm, pastilhas sinterizadas e ABS. Isso é o que há de mais moderno e também equipa algumas de suas concorrentes. Na traseira o sistema é simplificado com pinça monopistão e disco de 220mm, também com ABS. As rodas são de alumínio, de 17 polegadas, com 5 raios, montadas com pneus Bridgestone Battlax Hypersport.

Painel LCD digital multifuncional, completo, de fácil leitura.

O painel digital LCD é novo e conta com tacômetro de barras, velocímetro numérico, marcador de combustível, indicador de marchas, shift light (indicador de troca de marchas) ajustável, temperatura de arrefecimento, sistema de gerenciamento eletrônico selecionado para YCC-T e D-MODE, odômetros parciais e 12 luzes de advertência. Como dá pra ver, é bem claro e limpo, de fácil leitura.

Perfil agressivo, lanternas e piscas de leds.

O sistema de iluminação, tanto na traseira quanto na dianteira, expressam o caráter da MT-10. O uso proposital de elementos que podem ser customizados, juntamente com a vasta gama de acessórios que serão disponibilizados, criam muitas de possibilidades para ela. A cara de mau da MT é leve, tecnológica, agressiva, forte e futurista. 

Faróis de leds são tendência e serão cada vez mais utilizados. A evolução deste sistema está indo muito bem.

O par de ameaçadores faróis é de leds, cercados por uma compacta moldura e defletores, todo o conjunto é montado diretamente no quadro, deixando a frente livre desse peso e mais leve para maior controle. Todo o sistema de iluminação, incluindo lanternas e piscas, também é de led. Outro item interessante que vem de série é a tomada de 12V, mais comum em motos touring, que facilita o uso de smartphones, GPS, heated-grips (manoplas aquecidas), câmera, notebook e outros equipamentos eletrônicos. Alguns deles indispensáveis para longas viagens nos dias atuais.

O cockpit é compacto e os controles à mão. Guidom cônico, estilo fatbar, largo e elevado.

A Yamaha MT-10 estará disponível nas revendas européias a partir de maio de 2016, nas cores Night Fluo (cinza), Tech Black (preta), Race Blu (azul). Você também pode conferir o vídeo oficial no YouTube: www.youtube.com/watch?v=JuZF11yuVzE

The Dark Side Of Japan em estilo e cores. Yamaha MT-10 2016. Pode incluir na sua lista de desejos.

Especificações técnicas:

Motor
Do tipo 4 tempos, com 4 cilindros em linha, refrigeração líquida,  998cc, duplo comando no cabeçote com 4 válvulas por cilindro.
Diâmetro e curso dos cilindros 79,0 x 50,9 mm.
Taxa de compressão 12,0:1
Potência máxima 160,4cv @ 11.500rpm
Torque máximo 11,3kgfm @ 9.000rpm
Lubrificação por cárter úmido
Embreagem multidiscos com sistema deslizante
Injeção eletrônica de combustível
Ignição eletrônica digital
Partida por motor elétrico
Transmissão por engrenagem constante com 6 velocidades
Transmissão final por corrente

Chassis
Quadro de alumínio formato Deltabox
Suspensão dianteira telescópica com tubos de 43mm e curso de 120mm
Suspensão traseira por braço oscilante conectado por links ao amortecedor
Freios dianteiros com discos duplos de 320mm de diâmetro
Freio traseiro disco simples de 240mm
Pneu dianteiro 120/70 ZR17 M/C 58W
Pneu traseiro 190/55 ZR17 M/C 75W

Dimensões
Comprimento máximo: 2.095mm
Largura máxima: 800mm
Altura máxima: 1.100mm
Entre-eixos: 1.400mm
Altura livre do solo: 130mm
Altura do assento: 825mm
Peso totalmente abastecida: 210kg
Volume do tanque: 17 litros
Capacidade do óleo: 3,9 litros

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